Quando o gestor é a união que faz a força!
- Rodrigo Marchesin
- 11 de jun. de 2017
- 3 min de leitura

Você tem uma ideia brilhante, chega na empresa onde trabalha e apresenta para os seus colegas, que rapidamente ficam entusiasmados e querem colocar a mão na massa! Todo mundo animado, cheio de vibração, com aquela vontade de fazer acontecer e, de repente, vem o chefe, pergunta o que está acontecendo, concluindo em seguida, que nada daquilo poderá ser realizado. Alega que as condições da empresa, a infraestrutura necessária, o tempo e, principalmente, os recursos financeiros, não estão disponíveis para aquela empreitada! Ou pior, argumenta que não é ocasião para mudanças, dado que a empresa encontra-se em reestruturação e o momento econômico também não permite vôos tão arriscados assim! É aquela ducha de água fria em toda a equipe.
O resultado imediato: equipe desmotivada – sem disposição para realizar as tarefas mais básicas – além do clima de trabalho totalmente estafante! Até atender a um telefonema ou responder a um e-mail tornam-se ações penosas e extremamente sacrificantes. O ambiente é tomado pelo desânimo generalizado e, quando não estancado, pode alastrar-se para outros setores da organização, além de comprometer as relações técnico-operacionais entre as equipes de trabalho.
Em algumas organizações, essa sequência contingencial negativa, que podemos chamar de efeito “borboleta” – termo derivado da Teoria do Caos, onde o produto do bater de asas de uma borboleta em um lado do planeta, pode amplificar-se em uma sucessão de fenômenos naturais, transformando-se em um furacão do outro lado do planeta – quando chega nas linhas de frente do negócio, onde ocorre o contato “mano a mano” com os clientes, pode pulverizar os objetivos estratégicos daquela corporação, convertendo sonhos de maior participação de mercado em um verdadeiro pesadelo. Isso, sem considerar as perdas imensuráveis pelos danos provocados sobre as suas imagem e marca.
Esse retrato, pintado nos parágrafos anteriores, serve bem para ilustrar uma situação comum em muitas companhias, desde pequenas e familiares até grandes corporações multinacionais! Guardadas as devidas proporções, os efeitos de uma chefia, despreparada e sem perfil adequado para gerenciar pessoas, podem trazer sequelas avassaladoras ao ambiente de trabalho e comprometer severamente os resultados da empresa. Se tomarmos como referência uma reflexão de Peter Drucker, famoso estudioso – de origem austríaca – da administração, que apregoava, como grande objetivo das organizações, atender a satisfação de seus clientes, aí pode estar a chave para explicar o seu fracasso comercial: a incompetência daqueles que deveriam dar a vazão às ideias e iniciativas de seus parceiros: os chefes, ou os gerentes, ou os diretores, ou o presidente – não importa qual o nível hierárquico. Exatamente, todos aqueles que deveriam cumprir com o seu papel de gestor!!
A dificuldade de fazer fluir o processo de comunicação e integrar equipes em trabalhos dinâmicos são alguns dos aspectos, a serem destacados, para ilustrar a falta de habilidade de gestão daqueles que estão na posição de comando. Convertem-se no oposto do que se espera de um profissional na sua posição – são verdadeiros gargalos, impedindo a inovação de produtos, operações e modos de trabalho, contribuindo para a perda, em escala crescente, da produtividade.
No final das contas, os executivos, que deveriam ter suas habilidades de gestão desenvolvidas, transformam-se nos grandes vilões da história. Mas, a questão é: identificar o vilão não traz um final feliz!! Desse modo, cabe aqui apontarmos alguns pontos sobre qual deveria ser o produto do trabalho desses profissionais, destacando duas características essenciais: o gestor, enquanto agente de formação de pessoas (formador) e o gestor, enquanto agente de integração de pessoas (agregador).
Quando dizemos que o gestor é um formador de pessoas, estamos nos referindo à ideia do modelo de liderança, baseado no exemplo. Ou seja, é preciso dar espaço para o aprendizado, oferecendo o seu conhecimento e experiência para toda a equipe. Mostrar o “como fazer”, compreender as dificuldades e oferecer oportunidades para que cada membro do time possa envolver-se e ter a confiança (segurança) em assumir riscos. O gestor formador de pessoas contribui positivamente no desenvolvimento de seus parceiros e colaboradores, não apenas sob a perspectiva profissional, como também, na construção de valores éticos e morais dos seus colegas.
E a outra característica, ou função, do gestor, é a capacidade de agregar pessoas!! Em tempos de economia compartilhada, a construção de um processo, o qual possa consolidar informação e competência, será possível apenas por meio de um conjunto de relações, onde confiança e cumplicidade entre os componentes de uma equipe coexistam harmônica e estrategicamente. Gestores comprometidos com suas equipes de trabalho, oferecendo espaço para a manifestação de diferentes perspectivas, propiciam um ambiente interno favorável, indispensável para a proliferação de ideias, práticas inovadoras de trabalho, além de bases para novos paradigmas organizacionais, mais eficazes, mais produtivos e principalmente, mais humanos!!